Com certeza já ouviu falar da mundialmente famosa tendinite! Pois saiba que hoje em dia esse termo caiu em desuso na comunidade científica, sendo agora mais comum o uso do termo tendinopatia. Então porquê esta mudança de nome? Porque o sufixo – “ite” significa inflamação, que sabemos hoje, não ser um factor primordial neste tipo de patologia. Também existe o termo tendinose que caracteriza uma tendinopatia num estadio mais crónico.
Então e o que é a tendinopatia afinal? Tendinopatia significa literalmente patologia do tendão, sendo o tendão uma estrutura que faz parte dos nossos músculos, com a função de ligá-los aos ossos. A tendinopatia surge quando há uma sobrecarga da estrutura tendinosa, ou seja, quando se faz uma atividade para o qual os nossos tendões não estão preparados. Esta sobrecarga pode surgir, por exemplo, ao fazer um movimento repetitivo continuamente no trabalho ou ao progredir demasiado rápido na preparação de uma competição desportiva. Esta sobrecarga ou uso excessivo do tendão provoca alterações das células que o constituem, havendo uma modificação da estrutura tendinosa (1).
A evolução da patologia é gradual. Normalmente numa fase inicial há dor logo após a atividade ou no dia seguinte a esta. Pode também existir dor logo no início da atividade que desaparece e volta a surgir quando esta termina. Com o avançar da patologia a dor agrava-se e está mais presente, podendo mesmo restringir a realização dos movimentos do dia-a-dia (1).
Solução? Se o tendão dói porque a sua estrutura não aguenta a carga a que está sujeito, então a solução só pode ser uma - há que aumentar a capacidade de suporte de carga do tendão. Após uma fase de controlo da dor e depois de esta ter desaparecido ou estabilizado num nível baixo, deve ser iniciado um programa de treino focado no aumento da carga no tendão, devendo este ser feito de forma gradual, à medida que a tolerância da pessoa vai aumentando, num processo que pode ser bastante demorado, mas necessário (2).
Agora que já sabe um pouco mais sobre esta patologia e o que fazer para tratá-la, peça ajuda ao seu fisioterapeuta para o aconselhar e ajudar no seu processo de reabilitação.
Sara Mendonça
Sócia-gerente/Fisioterapeuta na One Life – Serviços de Saúde
Licenciada em Fisioterapia pela Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Porto
Certificada em Terapia Manual Ortopédica pela Curtin University (Austrália)
Referência
1. Cook J, Purdam C. Tendon overuse injury (tendinopathy). Em: Brukner & Khan’s Clinical Sports Medicine 5th Edition. McGraw-Hill Education; 2016. p. 46–51.
2.Malliaras P, Rodriguez Palomino J, Barton CJ. Infographic. Achilles and patellar tendinopathy rehabilitation: strive to implement loading principles not recipes. Br J Sports Med. 24 de Março de 2018;













